Tem dias que penso – mais uma rede social e eu piro, mais algumas horas na frente dessa máquina e eu desisto, vou meditar no Tibet.
Precisamos realmente nos desconectar, olhar para o céu, não atender o celular, olhar ao redor, deixar a criatividade fluir, recarregar.
Nestes últimos dias aceitei um convite de ficar três dias em um tipo de celeiro em um sítio. Não sei bem como definir, o fato é que não tem banheiro, não tem energia elétrica, dormimos em sleeping bags e acordamos com uma paisagem verde, ouvindo os pássaros cantar.
Neste contexto, “armada” com livro, caderno e caneta, parti para fora da cidade.
E são nestes contextos que, você lê um livro inteiro, caminha na grama ainda molhada do sereno, e novas ideias chegam sem desordem e mais livres. E quando o sol se vai, o que nos resta é ascender as velas, cozinhar sem pia, tomar um vinho a temperatura ambiente e bater um bom papo.
“Onde você já esteve? O que te faz feliz? Qual é o próximo destino? Comem de tudo?”
Você acaba conhecendo pessoas fora do seu ciclo, como ex-militares que passaram pelo Iraque e Afeganistão (afinal, estou na terra do tio Sam), ex presidiários que fora as tatuagens você nunca adivinharia, ex moradores da “natureza selvagem” com ótimas habilidades de sobrevivência, paraquedistas, pescadores, caçadores, ex alcoólatras, e muita gente feliz.
Por sorte tinha um chuveiro por perto, há 10 minutos de caminhada. Se tem uma coisa que faço questão é de tomar banho. Entre insetos e carrapatos, ter o mato como banheiro, e ter apenas um cooler como toda fonte de água, você fica sim fora da zona de conforto. Mas rapidamente se adapta e percebe que vive com tão pouco.
Percebi a importância de deixar de lado cobranças internas, acontecimentos externos, e a eterna dúvida: estou fazendo tudo o que preciso fazer?
Temos que descobrir o nosso tempo, e esta, amigos, é uma tarefa sublime – exige grande conhecimento de si mesmo.
Saber quando desacelerar, quando pausar, quando parar.
Turn off! Nem que seja por uns dias.
E sim, há uma grande responsabilidade em desconectar-se, mas tem que ter coragem.
Esqueça o relógio e o compasso. Seu tempo está dentro de você, assim como o seu norte.
Mais do que correr, é preciso saber cessar.
Mas não adianta partir e levar a culpa na mala.
Num mundo que exige produtividade e imediatismo, busque um lugar ali dentro que exige muito menos. Um lugar inabalável.
Respeite o seu próprio tempo.
Acredite no silêncio quando a mente calar.
O meu silêncio não é totalmente mudo, ele escreve, dita com voz desafiante – saia da zona de conforto.
Mas cuidado – este sentimento pode viciar.
Ao sair dessa zona, quebramos a rigidez, ousamos, vivemos com mais leveza. Por isso, por favor, desconecte-se.
Tenha coragem e fôlego para ser você, sem grandes acessórios. A verdade é que não precisamos de muito. Acreditem.
Existe um paradoxo que precisamos viver para entender. Nossas melhores ideias frequentemente aparecem quando não estamos trabalhando, quando a mente está desimpedida, quando estamos “perdendo tempo”. Esta “perda de tempo” tem se provado produtiva, afinal quem nunca teve uma epifania durante um ócio criativo?
Obrigada, Gu por este convite. A cada dia aprendo mais com você e sua alegria de viver, com tão pouco.





Muito interessantes suas colocações e sua reflexão.
A vida louca que levamos nos faz esquecer da delicia de uma vida simples .
Fotos lindas como sempre !
obrigada!
Cozinhar sem pia? Onde guardam tudo que iria na geladeira? Ta me parecendo meio amish
mas eh verdade, todo mundo precisa de um brak dessas maquinas. Tem um livro de uma senhora q desafiou a familia a passar “x” tempo sem cell, computador, ipad etc….nao li, mas deve ser interesante o relato bjoooo
nas poucas vezes que eles tem coisas que precisam ser refrigeradas, é dentro de um cooler. Não tem pia, tem um recipiente embaixo de outro cooler com água e lava-se os pratos ali. Eles tem um processo pra tudo e conseguem viver bem assim. Nós, que não estamos acostumados é que estranhamos. Legal esse livro, você sabe qual é o título?
Puxa, que saudades… saudades dos nossos papos…
Vc realmente faz muita falta aqui.
Que bom poder compartilhar da sua vida pelo seu site/blog!
Bjinho.
Achei o livro, se chama “the winter of our disconnect”
http://sixseeds.tv/s/content/books/753-the_winter_of_our_disconnect
Bjos